UM´09

17Nov09

Decorreu de 12 a 15 de Novembro a segunda edição do UM – Festival Internacional de Intermedia Experimental ‘09 que teve como tema a Paisagem enquanto espaço de vivência e a sua percepção. É, como diz a descrição, a presença humana no mundo. Pretendeu-se neste festival uma mistura de práticas experimentais que de alguma forma interpretem e fomentem a crítica do mundo.

No debate Desta Posição – construção da paisagem e as inter-relações entre som, imagem, arquitectura e espaço, Carsten Stabenow e Geert-Jan Hobijn (Staalplaat Sound System) focaram a construção do espaço e as relações deste com o som. Explorando ruídos quotidianos geralmente incomodativos, este colectivo cria instalações que misturam, ampliam ou simplesmente isolam estes sons de forma a torná-los mais atractivos e interessantes, através do reconhecimento da sua origem. Na instalação-concerto Yokomono (apresentada na inauguração da exposição no primeiro dia do festival), 10 vinyl killers (carrinhos vermelhos que funcionam como agulhas), giram ao longo dos vinis, cada um com o seu transmissor FM que comunica com a mesa onde são misturados e criam ritmos cada vez mais complexos. Com uma exposição tão clara do processo, compreendeu-se a origem de cada som e como ele encaixa em toda a construção sonora.

(Staalplaat Sound System na inauguração da exposição do festival, dia 12)

Na apresentação do workshop Construir o Próprio Interface Musical, Frank Baldé e Takuro Mizuta Lippit (STEIM) apresentaram técnicas de physical computing que permitem, com a interacção entre softwares apropriados (junXion e LiSa) e dispositivos associados, criar novos instrumentos musicais. Aliados à música electrónica desenvolvem projectos em conjunto com vários artistas performativos, tendo como objectivo “a human approach to technology” e promovendo uma aproximação diferente através do toque e da habilidade corporal (Cracklebox) ou vocal (Alex Nowitz – Voz, Wiimote e LiSa) de cada artista.

(apresentação do worshop STEIM, dia 12)

Na conversa Estudos e Sensibilidades Elevados: Aumentar a Consciência e o Conhecimento Sensorial, Evelina Domnitch e Dmitry Gelfand e Terike Haapoja introduzem uma linguagem científica aos seus projectos. Os primeiros criam experiências sensoriais através de processos físicos e químicos, procurando a transcendência do observador pela descoberta científica (Sonolevitation e 10000 Peacock Feathers in Foaming Acid). Terike Haapoja desenvolve instalações relacionadas com a vida do Homem na Terra, utilizando os novos media (Dialogue). No seu projecto Entropy, que se encontra na exposição do festival, podemos assistir à projecção de infravermelhos do arrefecimento do corpo morto de um cavalo.

Na exposição do festival (que decorre até 27 de Novembro no ECV Fiat Garage), conseguiu-se uma visão ampla do conceito de Paisagem aplicado aos vários media. Destacam-se Julius von Bismarck (Image Fulgurator – um dispositivo de projecção clandestino que manipula o resultado das fotografias, não sendo perceptível a olho nú) e Torsten Posselt, Benjamin Maus e Frederic Gmeiner (Extracts of Local Distance – uma técnica de análise de imagem que cria novas percepções arquitectónicas por um novo ponto de fuga).

Os concertos de dia 13 na ZDB decorreram no formato QuWack, em que o público se situava no meio de dois palcos onde os vários músicos tocavam a solo durante 15 minutos e em colaboração improvisada durante 5 minutos. O tempo era cronometrado numa projecção e cumprido à regra. Katapulto e Bass Clef foram alguns dos projectos mais interessantes.

(post de colaboração entre Patrícia Matos, Marisa Charepe Dias e Joana Barata Pacheco)

Autenticar, é o processo de verificação ou de estabelecimento de credibilidade. Tanto se pode aplicar a uma pessoa (o B.I. autentifica quem nós somos) como a um determinado assunto (verificação científica)  ou

As a result, a workable authentication system requires at least two modes of authentication. There is the primary mode of authentication, the password or token employed by the user in the normal course of events. Then there is the form of emergency authentication for cases when the primary authenticator is unavailable to a user.On the Internet, the most common form of emergency authenticator is e-mail. When a user forgets her password for a particular site, she often has the option of having the password itself or password-reset instructions sent to a pre-registered e-mail account. Another common emergency authentication mechanism is “life questions.” The user is prompted to authenticate herself by furnishing answers to previously registered personal questions, e.g., “What is thename of your first pet?” In corporate environments, the preferred emergency authentication mechanism is the help desk: employees telephone support help-desk personnel forassistance in re-establishing their access privileges.”
em “FourthFactor Authentication: Somebody You Know” de John Brainard, Ari Juels, Ronald L. Rivest, Michael Szydlo and Moti Yung (2006)

“El espectador no puede evitar voluntariamente el estado de sospecha, ni tampoco el estado de confianza, que pertenece igualmente a la economía de la sospecha. De la misma manera que no puede confiar en un signo que se le presenta sospechoso, tampoco puede retirar su confianza a un signo que se le muestra fiable, sincero.(…) La sinceridad no tiene lugar “en el otro”, como su decisión consciente de decir por fin la verdad sobre su interior; más bien, la sinceridad es un fenómeno que se manifiesta sólo al espectador, en tanto impréssion del repentino auto-desocultamiento del otro”
de Boris Groys em “Bajo Sospecha” (2008-p.83)


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10Nov09

O interesse social (político, económico, científico, cultural) na partilha de dados, foi teorizado por  Paul Otlet(1) em 1934. A evolução científica, neste e noutros campos, abriu novas possibilidades de desenvolvimento.

A acessibilidade da informação e o aumento de conteúdos que os novos media trouxeram, alterou a relação com: a informação transmitida («4′33»), o meio transmissor(«Big Ideas: Don’t get any») e o autor da informação («My boyfriend came back from the war. After dinner they left us alone.»). São os dispositivos que medeiam a troca de conhecimento entre os utilizadores.
Será que neste processo comunicativo «tecnológico», poderão existir formas mais humanas de transmissão de mensagens(3)? A nível global, a troca humaniza e unifica (transcodificação cultural). Promove o cruzamento das várias áreas do conhecimento, a multidisciplinariedade. Mas, também confere uma «voz», a cada indivíduo dentro de uma comunidade.

No projecto «Scope» , Rui Horta alia os novos média, á dança e ao teatro. O público era de forma participativa, dividido e orientado, para uma de duas bancadas. Durante o decorrer do espectáculo, a construção do cenário limita os dois «pontos de vista». Por vezes apenas temos acesso á projecção de uma webcam, enquanto o outro lado assiste a um cenário completamente diferente, a percepção da obra é dividida. O desejo de saber o que se passou em determinados momentos no outro lado do cenário leva o visualizador a interrogar o outro lado da audiência. Mas, mesmo que se pergunte o que se viu, vamos sempre continuar a percepcionar a obra pela sua subjectividade. Este espetáculo pareceu-me bastante interessante pelo facto de promover o cruzamento de opiniões, as leituras variam e isso dá espaço á subjectividade de cada um.

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(1) «Traité de Documentation», vídeo alusivo ao tratado de Paul Otlet (1934).
(2) «Star Wars Episode IV: A New Hope», director George Lucas (1977).
(3) «Hi, a Real Human Interface», de Multitouch Barcelona (2009).

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Outras referências:
livinginternet.com
Etienne de Crecy (2008)
«Paint Piano», Michel Gondry e Bjork (2008)


Os novos media não são fáceis de definir, recorri a duas explicações de diferentes autores para melhor definir esta terminologia:

- Golan Levin(1) adopta uma definição os novos media segundo algo que ouviu, «anything that was created after you were born». Esta definição é um pouco ambígua, pois tendo eu nascido em 1986 não poderia falar da Internet (ainda que fosse um sistema pouco complexo) como novo media. Levin, fala ainda da importância de os novos media serem «abertos» a todos os utilizadores e que a sua utilização não se restrinja unicamente aos expertos na matéria. Concluo que os novos media têm a abertura necessária para serem manipulados por qualquer tipo de utilizador, desta forma o seu interface têm de ser perceptível á maioria.

-Lev Manovich(2) que estudou profundamente os novos media e a sua linguagem no livro “Language of New Media”, afirma: «There is no reason to privilege computer in the role of media exhibition and distribution machine over a computer used as a tool for media production or as a media storage device. All have the same potential to change existing cultural languages. And all have the same potential to leave culture as it is.». Manovich apresenta cinco princípios patentes nos novos media: representação numérica, modularidade, automatismo, variabilidade e transcodificação cultural.

Desta forma, e comparando com os «velhos media», os novos têm a possibilidade de interacção, ou seja, é o visualizador que escolhe e opta pelo conteúdo que quer aceder, segundo o seu interesse. São assim dotados de um feedback imediato. Como alguns exemplos, podemos encontrar como «novos media», o GPS, a Internet, o DVD, a televisão interactiva, jogos on-line.

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(1) (February 26, 2007) Entrevista de Alexandra Nemerov a Golan Levin
(2) (2007-p.43) Lev Manovich, em “Language of New Media” - “What is New Media?”


feedback

09Nov09

O feedback caracteriza-se pela reacção, no presente ou futuro, de informação(output) transmitida no passado. Por exemplo, feedback neste blog, é a possibilidade de poder deixar um comentário através da caixa de input de texto situada abaixo de qualquer post.
Esclarecendo a noção comportamental de input e output: «Given any object, relatively abstracted from its surroundings for study, the behavioristic approach consists in the examination of the output of the object and of the relations of this output to the input. By output is meant any changes produced in the surroudings by the object. By input, conversely, is meant any event external to the object that modifies this object in any manner» (1)

Existem, segundo o MIT, existêm quatro tipos de feedback, são eles:
-silêncio
-criticismo (negativo)
-aconselhamento informativo
-reforço (positivo)

O feedback pode ser positivo, e sucessivamente construtivo(2). Penso que mesmo quando ele é negativo, ele está a acrescentar valor, pois mesmo sendo crítico, estamos a acrescentar outra opinião. Desta forma, penso que o silêncio, apesar de ser uma forma de preservar a privacidade através da não exposição, é mais negativa que a da crítica, pois apenas acrescenta o vazio, o zero.

No projecto «Breath», Gabriel, instala uma projecção que interage com o utilizador tendo como referência a sua respiração. O input é a respiração, o output é o movimento adjacente á projecção. Pessoalmente, penso que projectos como o «Deep Contact: The First Interactive Sexual Fantasy Videodisc» de Lynn Hershman, apelam muito mais ao feedback do visualizador, pois este é fortemente estimulado ou tentado (por um cariz sexual) a interagir com a peça.

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(1) (1943-p.2) Arturo Rosenblueth, Norbert Wiener and Julian Bigelow, em «Philosophy of Science».
(2) Human Resources at MIT,  «Giving Feedback: A Self-Assessment». Este documento procura testar qual a classe de feedback que cada utilizador pratica.

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Outras referências:
-Inke Arns, em «Interaction, Participation, Networking: Art and Telecommunication – Communication».
- A. V. Korotaev, Artemiĭ Sergeevich Malkov, D. Khaltourina, em «Introduction to social macrodynamics: secular cycles and millennial trends».

Introduction to social macrodynamics: secular cycles and millennial trends

By A. V. Korotaev, Artemiĭ Sergeevich Malkov, D. Khaltourina




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